15 de Abril de 2024

Tarcísio defende operação que já deixou 39 mortos na Baixada Santista

Sexta-feira, 01 de Março de 2024 - 15:00 | Redação

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Tarcísio defende operação que já deixou 39 mortos na Baixada Santista
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Foto: Agência Brasil).

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta quinta-feira (29) a conduta da Polícia Militar durante a Operação Verão, realizada na Baixada Santista desde o dia 2 de fevereiro.

Questionado sobre as 38 mortes provocadas pelos policiais na operação, o mandatário afirmou que a Segurança Pública prefere prender do que matar bandidos. Ainda assim, segundo Tarcísio, "quem confrontar a PM vai ser dar mal".

“Interessa pra nós prender, porque um criminoso preso é uma fonte de informação... O combate, infelizmente, é um negócio duro. A gente não quer o confronto, mas a gente está preparado para o confronto. E quem confrontar, vai se dar mal”, declarou o governador, que participou, na cidade de São Paulo, da chegada do tatuzão à futura estação Vila Formosa nas obras de extensão da Linha 2-Verde do Metrô.


Denúncias 

Na última segunda-feira (26), entidades ligadas aos direitos humanos e sindicatos entregaram ao procurador-geral de Justiça, Mario Sarrubbo, um relatório de denúncias de abusos e violência policial durante a operação na Baixada Santista. O texto foi assinado por vários institutos, como Comissão Arns, Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE), Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Instituto Sou da Paz. 

No relatório, as entidades afirmam que, segundo testemunhas, os policiais cometeram diversas violações, entre elas, estão a execuções sumárias, invasões ilegais de domicílio e seis relatos de abusos policiais durante abordagens da Polícia Militar.

Perguntado sobre o tema nesta quinta-feira, Tarcísio novamente demonstrou apoio aos PMs. "A gente está travando um combate contra o crime organizado, que tomou espaços do nosso território. Esse combate é duro e difícil. É um combate que está sendo orientado por inteligência. Seria muito fácil pra nós ver o que está acontecendo – traficantes armados de fuzil, armados de pistola – e dizer 'não vou combater' porque isso, de repente, gera uma repercussão negativa na mídia", declarou.

"Tem uma pressão da imprensa e não quero essa pressão. E muitos fizeram isso no passado. Nós resolvemos: eu vou combater porque nós queremos devolver os espaços para o cidadão", continuou o governador.

Ainda sobre os supostos abusos de autoridade, Tarcísio disse que as testemunhas podem ter sido coagidas por traficantes da Baixada. “Nós queremos limpar essas áreas da chaga que é o tráfico de drogas e a gente tem que entender o que isso representa. Porque todo mundo viu como o soldado Cosmo foi morto. Ou alguém tem dúvida? E a gente sabe como as pessoas daquelas comunidades são pressionadas pelo tráfico de drogas para dizer isso ou aquilo”, finalizou o governador.

Governo federal cobra Tarcísio

Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio de Almeida enviou um ofício ao governador, na última segunda-feira (26), exigindo o cumprimento de uma série de normas e decisões judiciais que não estariam sendo respeitadas no âmbito da Operação Verão. 

"Solicito, por parte do Governo do estado de São Paulo, o cumprimento das normas, princípios e decisões nacionais e internacionais que regulam o uso da força por parte de autoridades estatais, a investigação de execuções sumárias e o uso de câmeras corporais por parte de agentes de segurança", afirma o ministro.
 

Silvio ainda reforçou a importância do uso de câmeras nos uniformes dos policiais. Em 2022, durante as eleições, Tarcísio chegou a questionar a eficácia dos dispositivos.

"A incorporação de câmeras nos uniformes viabilizará um registro visual imparcial e transparente das interações durante as abordagens, contribuindo para a accountability [responsabilização] e fornecendo evidências substanciais em investigações", defende o ministro de Estado.

Operação Verão

A Operação Verão é um desdobramento da Operação Escudo, que começou em 28 de julho de 2023 e foi suspensa em 5 de setembro do ano passado — as ações deixaram 28 mortos. 
Retomada neste ano com novo nome, a Operação Verão já deixou 38 mortos. Nos dois casos, a operação foi deflagrada após mortes de policiais.

 

 

 

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