24 de Julho de 2024

Prisão é "máquina de fazer PCC", diz Assassino, membro do comando da facção

Quarta-feira, 01 de Agosto de 2018 - 06:37 | Redação

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Prisão é "máquina de fazer PCC", diz Assassino, membro do comando da facção

Um telefonema interceptado pela Polícia Civil de São Paulo revela que a cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) considera as prisões brasileiras um ambiente propício para o recrutamento de novos integrantes para a facção criminosa.

"O sistema prisional é máquina de fazer PCC", afirma Filipe Augusto Soares, conhecido como Assassino, durante um diálogo telefônico com um comparsa identificado como Canela.

Apesar de estar preso na Penitenciária de Pacaembu, cidade distante 600 km de São Paulo, Assassino chefia as ações da facção no estado do Espírito Santo usando um telefone celular.

A ligação foi interceptada pelos investigadores da Operação Echelon no dia 2 de novembro de 2017. A investigação concluiu que o grupo criminoso já possui cerca de 30 mil membros em todo o país.

Em outro telefonema, ele chegou a admitir que "matou um estuprador" e colocou fogo em viaturas durante os ataques do PCC ocorridos no ano de 2006 no estado de São Paulo.

Durante a conversa com Canela, a quem convida ser o "Geral do Sistema [chefe]" nos presídios capixabas, Assassino revela que existem 38 prisões no Espírito Santo sob o domínio do PCC.

"O alvo [Assassino] citou para o irmão [comparsa] Canela que ele terá o controle do sistema prisional inteiro [no estado] e que se precisar o advogado chegará na hora", lê-se na transcrição da conversa feita por policiais paulistas.

Durante uma das fases da operação, investigadores encontraram documentos em posse de Assassino em sua cela. Entre eles, estavam anotações com nomes de membros do PCC e valores correspondentes a pagamentos e dívidas de cada um deles.

Presídio se tornou RH das facções, diz policial federal

Fundado no dia 31 de agosto de 1993, na Casa de Custódia de Taubaté, interior de São Paulo, o PCC é uma organização criminosa cujo crescimento está diretamente ligado às condições precárias do sistema penitenciário brasileiro, apontam especialistas ouvidos pelo UOL.

A maioria dos integrantes da cúpula do PCC está detida, a exemplo do principal líder, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

"O Brasil prende o cara que roubou uma maçã ou um abacaxi, o cara que compra droga na biqueira e é fichado como traficante. E ao chegarem nas prisões, essas pessoas são aliciadas pelas facções", afirma o advogado e coordenador adjunto da ONG Conectas Direitos Humanos, Marcos Fuchs, que foi integrante do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

UOL

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