13 de Julho de 2024

Vacina contra a alergia pode levar rinite à remissão, diz especialista

Quarta-feira, 30 de Agosto de 2023 - 10:30 | Redação

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Vacina contra a alergia pode levar rinite à remissão, diz especialista

A imunoterapia, mais conhecida como vacina para alergia, é um tratamento centenário, porém, vem ganhando destaque nos últimos anos pelo aumento no número de alergias e, consequentemente, como uma das ferramentas mais eficazes para asma, rinite e dermatite atópica.

Tradicionalmente, a vacina para alergia é aplicada de forma subcutânea, mas com os avanços da área já é possível encontrar o tratamento na forma sublingual, que oferece menos riscos de reações adversas como a anafilaxia, a mais grave entre elas.

A via sublingual é indicada a partir de dois anos de idade e a via subcutânea em crianças a partir de cinco anos. Atualmente, a literatura também vem demonstrando bons resultados em idosos.

O Coordenador do Departamento Científico de Imunoterapia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), o médico Fernado Aarestrup, discorre sobre a eficácia e até possível remissão de algumas doenças alérgicas, como a rinite, por exemplo.

A imunoterapia tradicional é realizada de forma subcutânea, mas essa pode dar reações adversas como a anafilaxia? Como deve ser feita para dar segurança ao paciente? 

Fernado Aarestrup - A imunoterapia por via subcutânea deve ser sempre realizada sob supervisão médica. Preferencialmente, a aplicação dever ser feita na própria clínica do médico alergista e imunologista que prescreveu o tratamento.

Recentemente, dados do Censo Brasileiro de Imunoterapia com Alérgenos revelaram que as reações sistêmicas no Brasil são muito mais comuns do que imaginávamos.

O local da aplicação deve ter infraestrutura adequada e medicamentos para atender reações adversas graves como a anafilaxia, que embora não seja comum pode ocorrer.

Após a aplicação, o paciente deve ficar em observação e monitorado por um período mínimo de 30 minutos. Essas recomendações estão presentes em todos os consensos científicos publicados sobre imunoterapia com alérgenos.

A imunoterapia sublingual é mais recente. Quais os benefícios em relação à subcutânea? 

F.A - A imunoterapia por via sublingual já é utilizada na Europa há mais de 30 anos. No Brasil, na última década, o seu uso vem aumentando muito.

O principal benefício é o alto perfil de segurança que possibilita que a aplicação possa ser feita em casa pelo próprio paciente.

Os resultados apresentados são semelhantes entre as duas, apenas os efeitos colaterais as diferem? 

F.A - Os estudos sugerem que ambas as vias de aplicação são altamente eficazes. Ocorre a remissão das doenças alérgicas, particularmente rinite e asma, com controle dos sintomas em média por 10 anos, após o término do tratamento.

Essa é a única forma de tratamento que atua na causa das doenças alérgicas, promovendo uma regulação do sistema imunológico.

Asma, rinite e dermatite atópica são alergias que podem ser tratadas com a imunoterapia. Dessas, quais apresentam mais resultados com a “vacina para alergia”? 

F.A - O emprego da imunoterapia no tratamento da rinite e asma alérgicas apresenta resultados espetaculares. Mais recentemente, diversos estudos vêm demonstrando também a eficácia da imunoterapia no tratamento da dermatite atópica.

Para o tratamento dar certo, deve ser prescrito e orientado por médico especialista em Alergia e Imunologia,   que possui formação profissional adequada para realizar e indicar esse tipo de tratamento.

Descobrir a causa da alergia do paciente, utilizando testes alérgicos adequados, é sempre o primeiro passo para planejar o tratamento.

A imunoterapia deve ser personalizada, ou seja, a vacina para alergia é feita seguindo as características de determinado paciente, não é algo “pronto”.

A imunoterapia pode curar alergia? 

F.A - Hoje falamos em remissão da doença alérgica por muitos anos. Entretanto, existem pacientes que nunca mais apresentaram sintomas alérgicos.

Portanto, a possibilidade de cura existe, mas ainda precisamos de mais dados e estabelecimento de critérios para determinarmos o que significa estar curado.

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