24 de Fevereiro de 2024

Obesidade: endocrinologista tira dúvidas sobre a semaglutida

Sexta-feira, 03 de Março de 2023 - 05:37 | Redação

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Obesidade: endocrinologista tira dúvidas sobre a semaglutida

Recentemente a Anvisa anunciou a aprovação da semaglutina 2,4 mg para pessoas com obesidade. O endocrinologista e metabologista André Camara, da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), responde 5 dúvidas sobre o medicamento.

1. Do ponto de vista clínico, o que a semaglutida oferece de diferente em comparação aos outros medicamentos que existem para tratar a obesidade?

A semaglutida é uma droga da classe dos analógos do GLP-1, que tem como efeito diminuir a fome, aumentar a saciedade e controlar a glicemia. Deve ser usada sob prescrição e acompanhamento médico, em associação com reeducação alimentar, atividade física, sono adequado e controle de stress/ansiedade/depressão.

É válido ressaltar que normalmente todos nós sintetizamos o GLP-1 (hormônio endógeno), sob o estímulo após as refeições, pelas células neuroendócrinas da mucosa intestinal. Assim, de forma fisiológica esse hormônio atua regulando a fome, a saciedade e a glicemia.

A semaglutida e outros análogos de GLP-1 apresentam algumas vantagens em comparação à sibutramina, pois possui pouca interação medicamentosa (o que faz com que a semaglutida tenha poucas contraindicações) e atua no sistema nervoso central de forma mais específica e seletiva, causando menos efeitos colaterais relacionados à alteração de humor, libido e concentração, entre outras funções cognitivas.

Em comparação à liraglutida, a semaglutida tem maior facilidade de posologia, diária e semanal, respectivamente, o que aumenta a aderência e apresenta perda média de peso maior. Entretanto apresenta, no geral, mais efeitos colaterais gastrointestinais, como náuseas e vômitos.

Por enquanto, apenas a apresentação subcutânea de semaglutida está aprovada para perda de peso em pacientes com sobrepeso/obesidade. Porém, já existe via oral (comprimidos), liberada para pessoas com diabetes.

Lembrando que cada paciente tem suas particularidades e resposta ao tratamento e eventualmente tem indicação de uma ou outra substância.

2. Para que tipo de perfil de paciente esse medicamento deve ser receitado?

Essa medicação está indicada para pacientes com dificuldade de perder peso com reeducação alimentar e atividade física que tenham obesidade (IMC> ou = 30) e/ou sobrepeso com IMC>27, com comorbidade associada à obesidade e que não tenham contraindicações à mesma. Outra indicação da semaglutida é para o tratamento de diabetes mellitus tipo 2.

3. Esse medicamento pode ser usado para combater a obesidade infantil ou é apenas para adultos?

Ele está aprovado no mercado brasileiro para ser usado em pacientes a partir de 18 anos, mas já foram publicados trabalhos para tratamento de adolescentes com obesidade a partir de 12 anos, inclusive com aprovação do FDA (órgão dos Estados Unidos semelhante à ANVISA) para essa faixa etária.

4. Quais as perspectivas que se abrem para o tratamento da obesidade com a aprovação desta medicação?

A semaglutida é uma droga que tem mostrado excelentes resultados (média de 16% do peso perdido, com alguns pacientes perdendo mais do que isso) no médio prazo. De maneira geral, perda de peso maior ou igual a 10% diminui risco de comorbidades associadas à obesidade.

5. Na sua opinião, esse medicamento pode diminuir a necessidade de bariátricas em pacientes com obesidade acima de grau 3?

A semaglutida isoladamente tem mostrado uma boa perda ponderal próximo ao resultado da cirurgia bariátrica “sleeve” (perda média de 20%) e a cirurgia bariátrica Bypass gástrico (perda média de 30%).

Além do resultado isolado da semaglutida, temos que pensar também em possíveis associações com outras medicações que temos no mercado ou com novas substâncias (associação de semaglutida com cagrilintida já está em estudo com resultados promissores), além de outras medicações que estão vindo (Tirzepatida), o que pode fazer essa perda ser mais expressiva ainda, com a possibilidade de diminuir a demanda por cirurgia bariátrica.

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