13 de Junho de 2024

Odilon de Oliveira diz que governo militar “muito fez pelo Brasil” e que não houve ditadura

Sexta-feira, 11 de Maio de 2018 - 10:39 | Redação

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Odilon de Oliveira diz que governo militar “muito fez pelo Brasil” e que não houve ditadura

O juiz aposentado Odilon de Oliveira, candidato a governador pelo PDT, causou polêmica nas redes sociais após se manifestar a respeito de sua concepção sobre o período em que o Brasil foi governado pelos militares (1964-1985). Segundo ele, no regime que se seguiu ao golpe “não tivemos uma ditadura, mas um governo militar que muito fez pelo Brasil”. (Veja o vídeo aqui)

As declarações do juiz, que concorre como candidato em partido de esquerda (PDT), foram dadas no dia 8 de maio passado ao programa Capital Meio Dia, da FM Capital, apresentado pelo radialista Joel Silva.

O ouvinte Cesar Francisco Rizardo encaminhou à produção do programa, pelo Facebook, a seguinte pergunta: “O doutor Odilon serviu ao nosso glorioso Exército justamente na época da intervenção militar, em 1969. Qual a opinião dele sobre essa época? Houve ditadura realmente? Não seria mais correto afirmar que houve uma ditadura do proletariado, pois sabemos que essas pessoas faziam parte de uma guerrilha, retornaram à política e o resultado está aí, com o País mergulhado na corrupção”.

Odilon de Oliveira diz que governo militar “muito fez pelo Brasil” e que não houve ditadura

Apesar de desconhecer o significado do termo “proletariado”, que diz respeito a grupo de trabalhadores, especificamente aos mais pobres (não há registro histórico de a classe operária ter em algum momento tomado o poder no Brasil), Cesar Francisco Rizardo acabou colocando Odilon de Oliveira numa saia justa junto aos seus correligionários de partido, já que o PDT foi fundado em 1979 por Leonel Brizola, político de esquerda, após este ter retornado do exílio de 15 anos que lhe foi imposto justamente pelo regime militar.

Ao responder ao questionamento do ouvinte, Odilon de Oliveira, que deve desconhecer a linha programática do PDT, disse que “segundo a minha conceituação, nós não tivemos ditadura, nós tivemos um governo militar. Um governo militar que fez muito pelo Brasil. O governo militar começou porque ele pegou uma movimentação já em andamento”.

Na sequência ele afirma que “o governo militar, evidentemente, ele combateu, ele atuou numa contra-revolução. Então eu não tenho nenhuma crítica ao governo militar e não tenho nenhuma crítica a fazer, também, a não ser com relação à corrupção, à outras demandas dos governos posteriores ao governo militar. Não tenho o governo militar como uma ditadura”.

Documento da CIA – As declarações do pré-candidato a governador Odilon de Oliveira, que lidera as pesquisas de intenção de votos até aqui realizadas, foram dadas na mesma semana em que foi tornado público pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos documento mostrando que o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) autorizou que o Centro de Inteligência do Exército (CIE) continuasse a política de execuções sumárias contra opositores da ditadura militar no Brasil adotadas durante o governo de Emílio Garrastazu Médici, mas que limitasse as execuções aos mais “perigosos subversivos”.

O memorando de 11 de abril de 1974, assinado pelo então diretor da CIA (serviço de inteligência dos EUA) Willian Colby e endereçado ao então secretário de Estado Henry Kissinger, afirma que o presidente Geisel disse ao chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) à época, João Baptista Figueiredo, que se tornou presidente entre 1979 e 1985, que as execuções deveriam continuar.

O memorando relata que o encontro teria ocorrido em 30 de março de 1974 entre Geisel, Figueiredo e os generais do CIE Milton Tavares de Souza (então comandante do centro) e Confúcio Danton de Paula Avelino (que assumiria o comando do CIE posteriormente).

Ainda segundo o documento, o general Milton Tavares de Souza afirmou, na reunião, que cerca de 104 pessoas que entraram na categoria de subversivos foram sumariamente executadas pelo CIE no ano anterior.

   

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