25 de Maio de 2024

Áudios da JBS colocam em descrédito acusações contra o governador

Quinta-feira, 07 de Setembro de 2017 - 06:37 | Redação

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Áudios da JBS colocam em descrédito acusações contra o governador

Embora o Procurador Geral da República Rodrigo Janot tenha deixado claro que a descoberta do áudio-acidental de Joesley Batista com Ricardo Saud não invalida as provas das denúncias contra os mais de 1.800 políticos que teriam sido beneficiados com supostas propinas pagas pela JBS, a situação coloca em descrédito a veracidade das informações prestadas pelos empresários.

Essa situação se estende ao Mato Grosso do Sul, onde lideranças políticas como o governador Reinaldo Azambuja foram alvos da dupla de empresários, cujas declarações em sede de delação premiada perderam totalmente a credibilidade após o surgimento dos áudios. Inclusive os termos da delação, que estabelecem imunidade penal a Joesley e a Wesley, deverão ser revistos, com a conseqüente prisão de ambos.

Constam do vasto material entregue à PGR diversos áudios, um dos quais possui cerca de quatro horas de duração, aparentemente gravado em 17 de março deste ano, e traz uma conversa entre os colaboradores Joesley Batista e Ricardo Saud. O diálogo, em tom de deboche, envolve o Supremo Tribunal Federal e a própria Procuradoria-Geral da República.

Ajuda extra - Os áudios indicam que o ex-procurador Marcello Miller atuou na "confecção de propostas de colaboração" do acordo que viria a ser fechado entre os colaboradores e o Ministério Público Federal.

Miller deixou a PGR em abril deste ano e passou a atuar no escritório de advocacia Trench Rossei e Watanabe, que atende a JBS. Como advogado, o ex-procurador chegou a atuar nas negociações da JBS para fechar um acordo de leniência, mas o escritório foi dispensado antes do fechamento do acordo. O acordo de leniência é uma espécie de delação da empresa, na esfera cível.

Em julho, Miller foi desligado do escritório. A suspeita da PGR é de que Miller, ainda no cargo de procurador da República, teria auxiliado os executivos da JBS a fechar o acordo de delação premiada.

Mentiras sobre doações a políticos - Em um dos trechos da conversa gravada que está em poder da PGR e do STF, Joesley sugeriu que Saud mentisse sobre repasses a políticos.

A certa altura do diálogo, o dono da JBS sugere que seu principal executivo faça uma delação pela metade. Joesley afirma que Ricardo Saud poderia fingir que não tinha conhecimento de todas as irregularidades da empresa. Saud se mostra contra essa ideia, com medo de posteriormente ser delatado pelas dezenas de pessoas para as quais pagou propina.

Diante da contabilidade apresentada pelo subordinado, Joesley então sugere que Saud poderia alegar não saber do esquema, se confrontado por autoridades. “Ué, dizer que você não sabia da transa”, afirma.

Pré-condenação - Em tom de desabafo durante entrevista concedida ontem ao programa Tribuna Livre, da FM 95.9, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) disse que as acusações dos delatores Joesley Batista, Wesley Batista e Ricardo Saud, causaram impacto injusto e grave na sua vida política e profissional.

“A gente sofre, a família sofre, porque sem direito à defesa você se torna um réu condenado, e isto sem nem sequer ter um processo aberto contra você”, relatou. Além da lamentação, o governador aproveitou a entrevista para ressaltar a possível falha do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao conceder muitos benefícios a réus confessos.

“Eles colocaram o nome de mais de 1900 pessoas na lama e agora estamos vendo que a Procuradoria-Geral da República foi muito conivente com eles, deu benefício maior para eles, como se tudo que eles falassem fosse verdade, como se tudo o que o delator falasse fosse verdadeiro”, pontuou.

Para contrapor as acusações dos delatores, o governador afirmou que se defenderá na Justiça “com provas e documentos”. Ele também ressaltou o fato de que possivelmente nem todos os políticos citados no acordo da JBS com a PGR são inocentes. “Não vou dizer que tudo o que disseram é mentiroso. É claro que pode ter coisa com cunho de verdade, com prova documental, mas é errado dizer que todos são corruptos”.

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