22 de Junho de 2024

PF indicia ex-procurador Marcelo Miller, Joesley e mais três por corrupção

Terça-feira, 19 de Junho de 2018 - 13:14 | Redação

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PF indicia ex-procurador Marcelo Miller, Joesley e mais três por corrupção

O ex-procurador da República Marcelo Miller, o empresário Joesley Batista e outras três pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal para responder sobre o suposto “jogo duplo” feito por Miller durante a elaboração da delação premiada dos executivos da JBS na Operação Lava Jato. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

De acordo com o jornal, além de Marcelo Miller e Joesley Batista, terão de responder à PF – no inquérito que apura se o ex-procurador “traiu” o Ministério Público Federal – as advogadas Esther Flesch e Fernanda Tórtima, além do ex-diretor jurídico da J&F, Francisco de Assis e Silva. Para o delegado Cleyber Malta Lopes, os três advogados foram os responsáveis por "corromper" Miller, apontado pelo crime de corrupção passiva no relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela Polícia Federal.

Lopes acredita que existem indícios para acreditar que Joesley e os três advogados atuaram para esconder qual o papel cumprido por Miller na celebração dos acordos de delação.

O documento aponta que Miller recebeu R$ 1,8 milhão da J&F Investimentos quando ainda estava na equipe da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que atuasse como advogado contratado pela empresa. Após as acusações, o ex-procurador chegou a reconhecer, em depoimento, que “fez uma lambança no caso da JBS”, mas negou ter orientado o empresário Joesley Batista a omitir crimes e a gravar o presidente Michel Temer.

"Essa história de eu ser o 'gravador-geral da República'... Isso não existe. Nunca orientei ninguém a gravar ninguém", afirmou o ex-procurador. "Pela vida do meu filho, eu não mandei gravar o presidente", garantiu em depoimento no ano passado.

Janot levantou suspeita contra Marcelo Miller

A investigação sobre o caso foi aberta depois de o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter levantado suspeita de que os delatores da JBS estivessem omitindo informações sobre crimes cometidos – entre eles, a conspiração com Miller.

Depois disso, o relatório foi encaminhado à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, e ao relator da Lava Jato na Corte, ministro Edson Fachin.

Miller se desligou oficialmente do Ministério Público Federal no dia 5 de abril do ano passado e passou a atuar no escritório de advocacia que defende os irmãos Joesley e Wesley Batista. Segundo Janot, os e-mails desse escritório mostram que Miller efetivamente auxiliou a empresa a obter vantagens no acordo de leniência com a PGR. Janot chegou a pedir a prisão preventiva de Marcello Miller logo após o surgimento das suspeitas acerca de seu nome, mas o requerimento foi negado pelo ministro Edson Fachin.

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