25 de Julho de 2024

Advogado envolvido em fraude em concurso é colocado em liberdade

Preso por porte ilegal de munição, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB é investigado pelo Gaeco

Quarta-feira, 12 de Junho de 2024 - 17:28 | Redação

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Advogado envolvido em fraude em concurso é colocado em liberdade
O advogado Christopher Pinho Ferro Scapinelli em sessão na Seccional da OAB em MS (Divulgação)

O advogado Christopher Pinho Ferro Scapinelli, 41 anos, investigado pela Promotoria de Justiça de Itaporã por suspeita de fraude em licitação para a realização de concurso público na Prefeitura de Douradina, foi colocado em liberdade na tarde desta quarta-feira (12).

Empresário e ex-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Seccional da OAB em Mato Grosso do Sul, ele foi preso em flagrante quando policiais do Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriam mandado de busca e apreensão em sua casa, no Bairro Santa Fé.

No imóvel, os agentes encontraram um carregador de pistola Glock e 25 munições intactas guardadas em uma meia, acondicionada em uma caixa no guarda-roupas. O material é de uso restrito e Scapinelli não tinha autorização para tê-lo em sua posse.

Na tarde de hoje ele foi colocado em liberdade após a audiência de custódia presidida pelo juiz Fernando Chemin Cury. Ao ser interrogado, informou que se mudou para Campo Grande em 2016. No fim de 2020, teria “encontrado e encaixotado na mudança, por engano” o carregador da pistola Glock com 10 munições, além de outras 15. 

O advogado alega que o material de uso restrito pertence a seu cunhado, que é policial federal, e resolveu não fazer o descarte por se tratar de explosivos. Por isso, resolveu guardar e planejava devolver ao dono.

A investigação

Dono da loja de vinhos “Bodega Real” e da Delta Concursos, o advogado foi alvo da Operação Sommelier, que apura indícios de fraude na realização de concurso público na prefeitura de Douradina.

A Delta está instalada na Rua Álvares de Azevedo, 194, sala 5, na Vila do Polonês, em Campo Grande, onde, de acordo com a investigação do Ministério Público Estadual, funciona também a Bodega Real.

Segundo nota, publicada pelo MPMS, servidores públicos e o empresário "vencedor" do certame haviam se organizado para fraudar a licitação e desviar dinheiro público mediante superfaturamento. Durante o cumprimento das diligências foram apreendidos cerca de R$ 180 mil em espécie.

Fachada

A denúncia é de que a Delta, organizadora do certame e de proriedade do advogado, seria uma empresa de fachada, contratada por R$ 154 mil. Parentes do prefeito Jean Sérgio Clavisso Fogaça (PSDB) foram aprovados no concurso.

Uma delas foi a secretária municipal de Saúde, Ângela Cristina Marques Rosa, que passou em primeiro lugar, conforme o edital. A Operação Sommelier foi deflagrada na terça-feira (11), quando GECOC e Gaeco cumpriram 11 mandados de busca e apreensão em Douradina, Dourados, Itaporã e Florianópolis (SC).

“Em resumo, foi apurada a existência de uma associação criminosa entre servidores públicos e o empresário, que previamente conluiados, organizaram-se para fraudar a licitação e desviar dinheiro público mediante superfaturamento”, informou o MPE, em nota.

A razão social de ambas as firmas estão em nome do advogado Cristopher Pinho Ferro Scapinelli. A Bodega Real foi fundada há três anos, em 22 de julho de 2021, e tem capital social de R$ 450 mil.

Nome da operação

Sommelier, termo que dá nome à operação, está relacionado ao fato de a empresa contratada para realizar o concurso público ser de “fachada”, cuja sede é uma loja de vinhos de Campo Grande, a Bodega Real.

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